O sedentarismo pelo mundo e os alertas para saúde

Um alerta do México

O México teve uma das quedas mais dramáticas na contagem de passos entre as nações pesquisadas pela Fitbit, de quase 80% em junho de 2020 em comparação com o mesmo período do ano passado.

O país tem um dos maiores números de mortes por covid-19 (mais de 62,5 mil até 28 de agosto). Mais de 70% dos mortos tinham condições pré-existentes, como hipertensão, diabetes ou obesidade.

Há uma especial preocupação com o número de casos e mortes entre crianças. Os casos aumentaram de 84 para mais de 2,6 mil apenas entre 12 de abril e 8 de junho, segundo o Ministério da Saúde mexicano.

O Unicef, agência da ONU para assuntos de infância, entrevistou 8 mil mexicanos com idade entre 13 e 30 anos e descobriu que cerca de metade deles têm se exercitado menos durante a pandemia.

“Muitos não vão à escola ou têm medo de sair de casa”, explica Mauro Brero, nutricionista da Unicef.

“O México já estava entre os países com altas taxas de obesidade em crianças e adolescentes antes da pandemia. Agora, as coisas podem piorar e deixar mais jovens vulneráveis”, diz o especialista.

O estudo da Fitibit mostrou que mesmo os países que não realizaram um isolamento total registraram uma queda na contagem de passos: no Japão, a atividade em junho ainda era 11% menor que em 2019.

Os números sugerem que as pessoas não se sentiam seguras o suficiente para manter suas rotinas.

Pesquisadores da Universidade de Tsukuba, com sede em Tóquio, detectaram uma “redução significativa” no tempo de atividade física entre os idosos do país durante a pandemia, e mais de 28% dos japoneses têm 65 anos ou mais.

A diabetes da Índia preocupa

Na Índia, a contagem média de passos ainda era 11% menor em junho. Há um receio de que ocorra uma “pandemia de diabetes” em um dos países mais afetados por essa doença.

Estima-se que mais de 70 milhões de indianos sejam diabéticos, número superado apenas pela China.

Uma equipe de médicos de Nova Delhi que acompanhou mais de cem pacientes diabéticos durante a pandemia descobriu não apenas que uma quantidade significativa deles (42%) reduziu os níveis de exercícios, mas também que comeram mais carboidratos, o que não é recomendado.

“A Índia foi atingida pela pandemia em um momento em que as pessoas já lutavam contra o sedentarismo”, explica Aman Dhall, um blogueiro indiano de fitness.

“Em 2016, um estudo da OMS já havia mostrado que 35% dos indianos não eram suficientemente ativos.”

“Nós somos muito bons em assistir esportes, mas não em praticá-los”, acrescenta Dhall, que acredita que o isolamento “tornou os indianos mais sedentários”.

fonte: BBC

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